Noite de Fazenda
Essa noite estrelada
Leva-me longe daqui
Deixo as luzes da cidade
Conheço a saudade
E me vejo na fazenda
Em meio às linhas e rendas
Panelas e sabores
Tão próprios de lá
Em tempo de lua
À margem da lagoa
Sentindo a brisa dos campos
Eu gostava de andar
Essa noite estrelada
Traz ventos passados
Lembro as tardes nas redes
o cheiro de mato
Meu coração acelerado
Compasso de esperar...
Bruna Longobucco
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Noite Escura - Walmir Ayala
Noite Escura
Noite escura do amor, em que me deito
com teu corpo de luz, eu assombrado
deste fantasma de repente alado
amplificando a jaula do meu peito.
Deixando-o infinito, maculado
de sangue e espuma (é mar este fantasma?
ou pássaro de mar que em onda espalma
seu corpo que é de luz e céu desfeito).
E a noite escura que era o amor se ajunta
em feixes de silêncio e de desmaio
para a festa defunta
de ver ressurreições: tempo em que caio
para em sombras cantar mais docemente
este sol que me põe preso e demente.
Walmir Ayala
com teu corpo de luz, eu assombrado
deste fantasma de repente alado
amplificando a jaula do meu peito.
Deixando-o infinito, maculado
de sangue e espuma (é mar este fantasma?
ou pássaro de mar que em onda espalma
seu corpo que é de luz e céu desfeito).
E a noite escura que era o amor se ajunta
em feixes de silêncio e de desmaio
para a festa defunta
de ver ressurreições: tempo em que caio
para em sombras cantar mais docemente
este sol que me põe preso e demente.
Walmir Ayala
Obsessão - Charles Baudelaire
Obsessão
Os bosques para mim são como catedraes,
Com organs a ulular, incutindo pavor...
E os nossos corações, - jazidas sepulcraes,
De profundis também soluçam, n'um clamor.
Odeio do oceano as iras e os tumultos,
Que retratam minh'alma! O riso singular
E o amargo do infeliz, misto de pranto e insultos,
É um riso semelhante ao do soturno mar.
Ai! como eu te amaria, ó Noite, caso tu
Pudesses alijar a luz que te constéia,
Porque eu procuro o Nada , o Tenebroso, o Nu!
Que a própria escuridão é tambem uma téia,
Onde vejo fulgir, na luz dos meus olhares.
Os entes que perdi, - espectros familiares!
por Charles Baudelaire, tradução de Delfim Guimarães
Os bosques para mim são como catedraes,
Com organs a ulular, incutindo pavor...
E os nossos corações, - jazidas sepulcraes,
De profundis também soluçam, n'um clamor.
Odeio do oceano as iras e os tumultos,
Que retratam minh'alma! O riso singular
E o amargo do infeliz, misto de pranto e insultos,
É um riso semelhante ao do soturno mar.
Ai! como eu te amaria, ó Noite, caso tu
Pudesses alijar a luz que te constéia,
Porque eu procuro o Nada , o Tenebroso, o Nu!
Que a própria escuridão é tambem uma téia,
Onde vejo fulgir, na luz dos meus olhares.
Os entes que perdi, - espectros familiares!
por Charles Baudelaire, tradução de Delfim Guimarães
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