Andando
Andei pensando
caminhei falando
Dormi rindo
Acordei chorando
Pensando e falando
rindo e chorando andei
Amei, fui amado
Fugi, fui perseguido
Não resisti, fui pego
Então, me vi preso
A quem tanto me quis
Amando e mentindo
Fugindo e fingindo
Sou amante e amado
Sou fiel e escravo
Desse amor amalgamado
Disfarçado, famigerado
Insistente e permanente
Acima de tudo envolvente
Amarras de desejo, paixão
Amor tumultuado, desilusão
Pensando bem andei amando
Andei também me apaixonando
Andando e amando até me perdi
Por fim Andei pensando, vivi.
Carlo dos Santos
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A mão - Adelino Fontoura
A mão
Quando meu lábio trêmulo te oscula
A pequenina mão delgada e fina,
Como uma pomba trêmula que arrula
Minha vida, mal sabes! — canta e pula
Na rósea palma dessa mão divina!
Adelino Fontoura
Quando meu lábio trêmulo te oscula
A pequenina mão delgada e fina,
Como uma pomba trêmula que arrula
Minha vida, mal sabes! — canta e pula
Na rósea palma dessa mão divina!
Adelino Fontoura
Poeta - Emanuel de Carvalho
Poeta
O Poeta é como ave de rapina
quando trina ateia versos
em rima
O Poeta de cordel do sertão
é uma ave que ao recitar
infinito canta
O Poeta de cordel ressuscita
os imortais faz as noites
entardecerem e o dia de
prosas que só se desfaz
ao pôr do Sol.
Emanuel de Carvalho
O Poeta é como ave de rapina
quando trina ateia versos
em rima
O Poeta de cordel do sertão
é uma ave que ao recitar
infinito canta
O Poeta de cordel ressuscita
os imortais faz as noites
entardecerem e o dia de
prosas que só se desfaz
ao pôr do Sol.
Emanuel de Carvalho
Soneto do Pregador Pecador - Bocage
Bojudo fradalhão de larga venta,
Abismo imundo de tabaco esturro,
Doutor na asneira, na ciência burro,
Com barba hirsuta, que no peito assenta:
No púlpito um domingo se apresenta;
Pregas nas grades espantoso murro;
E acalmado do povo o grão sussurro
O dique das asneiras arrebenta.
Quatro putas mofavam de seus brados,
Não qu'erendo que gritasse contra as modas
Um pecador dos mais desaforados:
"Não (diz uma) tu padre não me engodas:
Sempre, me hé-de lembrar por meus pecados
A noite, em que me deste nove fodas"!
Sansão - Ederson Peka
Sansão
Ederson Peka
Eu quero a força sobrenatural,
Já que, sem ela, o mais robusto é vão;
Mas não só ela: quero o amor real
Que outorga a força da submissão!
Já que, sem ela, o mais robusto é vão;
Mas não só ela: quero o amor real
Que outorga a força da submissão!
Quero trilhar a estrada do sucesso:
Vencer barreiras e transpor distâncias;
Mas não só isso, e sim todo o processo
Que ensina o valor da perseverança!
Vencer barreiras e transpor distâncias;
Mas não só isso, e sim todo o processo
Que ensina o valor da perseverança!
Eu quero, sim, o aplauso não fingido;
Mas quero mais a paz de consciência,
Ainda que não seja compreendido.
Mas quero mais a paz de consciência,
Ainda que não seja compreendido.
Eu quero, sim, vencer os filisteus;
Mas antes disso (e ainda que os não vença),
Quero a vitória sobre o próprio eu!
Mas antes disso (e ainda que os não vença),
Quero a vitória sobre o próprio eu!
Ederson Peka
Vênus - Francisca Júlia
Branca e hercúlea, de pé, num bloco de Carrara,
Que lhe serve de trono, a formosa escultura,
Vênus, túmido o colo, em severa postura,
Com seus olhos de pedra o mundo inteiro encara.
Um sopro, um quê ele vida o gênio lhe insuflara;
E impassível, de pé, mostra em toda a brancura,
Desde as linhas da face ao talhe da cintura,
A majestade real de uma beleza rara.
Vendo-a nessa postura e nesse nobre entono
De Minerva marcial que pelo gládio arranca,
Julgo vê-la descer lentamente do trono,
E, na mesma atitude a que a insolência a obriga,
Postar-se à minha frente, impassível e branca,
Na régia perfeição da formosura antiga.
A janela e o sol - Alberto de Oliveira
"Deixa-me entrar, — dizia o sol — suspende
A cortina, soabre-te! Preciso
O íris trêmulo ver que o sonho acende
Em seu sereno virginal sorriso.
Dá-me uma fresta só do paraíso
Vedado, se o ser nele inteiro ofende...
E eu, como o eunuco, estúpido, indeciso,
Ver-lhe-ei o rosto que na sombra esplende."
E, fechando mais, zelosa e firme,
Respondia a janela: "Tem-te, ousado!
Não te deixo passar! Eu, néscia, abri-me!
E esta que dorme, sol, que não diria
Ao ver-te o olhar por trás do cortinado,
E ao ver-se a um tempo desnudada e fria?!"
E por falar em saudade - Viviane Dick
E por falar em saudade...
Se há saudade,
É porque houve alegria.
Se há nostalgia,
É porque existiu felicidade...
Se há o que lembrar,
É porque houve o que viver...
E o que se vive: seja bom ou ruim!!!!
Fica eternizado nos sons, perfumes e sorrisos...
Nas lágrimas, nos gostos, no toque...
No olhar, na vista pra o mar...
Na terra, na serra....
Tudo lembra, tudo chama,
Tudo traz de volta...
Se há saudade,
É porque houve alegria.
Se há nostalgia,
É porque existiu felicidade...
Se há o que lembrar,
É porque houve o que viver...
E o que se vive: seja bom ou ruim!!!!
Fica eternizado nos sons, perfumes e sorrisos...
Nas lágrimas, nos gostos, no toque...
No olhar, na vista pra o mar...
Na terra, na serra....
Tudo lembra, tudo chama,
Tudo traz de volta...
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