O amanhecer das criaturas
O dia forma-se
de quase nada:
um seio nu
por entre pálpebras,
o sol que raia
e a luz acesa
no arranha-céu
que a aurora lava.
A mão incerta
deixa na rósea
carne dormida
o gesto equívoco.
Tudo é lilá
na luminosa e vã
partilha.
No dia imenso
nascem tesouros:
curvos, redondos.
O pão à porta,
depois o leite,
e o erguer dos corpos.
Lêdo Ivo
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Lêdo Ivo - A Mudança
A Mudança
Mudo todas as horas.
E o tempo, sem demora,
muda mais do que fia.
Mudo mas permaneço
bem longe das mudanças.
Como uma flor, floresço.
Sou pétala e esperança.
Mudo e sou sempre o mesmo,
igual a um tiro a esmo.
Como um rio que corre.
Sem sair de onde estou,
de tanto mudar sou
o que vive e o que morre.
Mudo todas as horas.
E o tempo, sem demora,
muda mais do que fia.
Mudo mas permaneço
bem longe das mudanças.
Como uma flor, floresço.
Sou pétala e esperança.
Mudo e sou sempre o mesmo,
igual a um tiro a esmo.
Como um rio que corre.
Sem sair de onde estou,
de tanto mudar sou
o que vive e o que morre.
Lêdo Ivo
A proximidade - Lêdo Ivo
A proximidade
estou sempre perto de mim.
Jamais de mim me distancio
seja no calor ou no frio
nas montanhas ou junto ao mar.
Eu não permito que o rio
leve meu barco na corrente.
O meu barco leva o rio
como o vento leva a semente.
nas montanhas ou junto ao mar.
Eu não permito que o rio
leve meu barco na corrente.
O meu barco leva o rio
como o vento leva a semente.
Lêdo Ivo
Girassol
Girassol
Em minha mão fechada cabe o dia,
o fogo aleatório dos instantes
e o silêncio que espalham os amantes
quando termina a festa e nada resta
da luz petrificada entre as montanhas.
Em minha mão aberta cabe a sombra
largada pela vida que me espera
além do inverno, quando a primavera
devolve ao caule a rosa fenecida
e o que foi volta a ser, e toda perda
retorna como um lucro imerecido.
A minha mão sustenta um girassol.
Sou sobra e o excesso, como o vento
ou como a luz incômoda do sol.
Lêdo Ivo
Em minha mão fechada cabe o dia,
o fogo aleatório dos instantes
e o silêncio que espalham os amantes
quando termina a festa e nada resta
da luz petrificada entre as montanhas.
Em minha mão aberta cabe a sombra
largada pela vida que me espera
além do inverno, quando a primavera
devolve ao caule a rosa fenecida
e o que foi volta a ser, e toda perda
retorna como um lucro imerecido.
A minha mão sustenta um girassol.
Sou sobra e o excesso, como o vento
ou como a luz incômoda do sol.
Lêdo Ivo
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