O imposto de honra
(por Leandro Gomes de Barros)
Cobrando imposto de honra
Sem haver ninguém honrado.
Do que não tem no mercado?
Procurar honra hoje em dia
Granito de pólvora em brasa
Mande que o governo cobre
Dar remédio a quem morreu
Que esse não rende um vintém.
Com os incêndios da alfândega
Dinheiro que sai do cofre
Faz isso e diz: — Sou honrado.
Que compra na venda alheia
Ora o Brasil deve à França
Mas a dívida não foi minha
E diz: — Quero meu dinheiro
Inda que seja em galinha.
Pensou que tripa era carne
Vão cobrar desse, ele diz,
Quem paga é seu Venceslau.
Mas achei quem emprestasse
Cobre.se imposto de honra
Que ver dinheiro abrejar.
Disse o Brás: — Ninguém tem honra,
Inda se pode achar vinte.
Dei carta aqui a quadrado
Tem médico que receitando
Procura o pulso na venta.
Mais burro do que entraram
Que nem o nome assinaram.
Está nas mesmas condições
Onde houver muitos ladrões
Pode provar que é honrada
Tendo uns oito ou nove erros
Qualquer ladrão de cavalo
Porque dessa data cru diante
Não o prendem é garantido.
Que disse: — Eu pago imposto
Também quem tiver poleiro
Nunca mais há de criar-se
Nem um pinto no terreiro.
Eu compro um vestido preto
Mas eu? sou viúva honrada.
Que diga: — Não és honrada
Quando eu pagar o imposto
Disse um zelador da noite:
Não livrar ninguém do pau.
Se a cousa for como eu penso
E não tiver seus conformes
Nos rende dous uniformes.
Dar-se a busca no quintal
Disse um passador de cédula:
— Ai eu não sei o que faça
Puder passar cédula falsa
Com uma eu pago o imposto
Sai-me a receita de graça.
Disse Zé Frango: — Esse imposto
Chegando eu tenho que pagá-lo
Mas também tenho o regalo
Quem me chamava Zé Frango
— Está muito bem isso assim
Eu hei de ver se o comércio
A velha cobrando a renda.
Antes de chegar, pergunta
Se eu tenho dinheiro ou não.
Quando um bater-me na porta