Mostrando postagens com marcador avós. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador avós. Mostrar todas as postagens

Cartas de Meu Avô - Manuel Bandeira

Cartas de Meu Avô

A tarde cai, por demais
Erma, úmida e silente…
A chuva, em gotas glaciais,
Chora monotonamente.

E enquanto anoitece, vou
Lendo, sossegado e só,
As cartas que meu avô
Escrevia a minha avó.

Enternecido sorrio
Do fervor desses carinhos:
É que os conheci velhinhos,
Quando o fogo era já frio.

Cartas de antes do noivado…
Cartas de amor que começa,
Inquieto, maravilhado,
E sem saber o que peça.

Temendo a cada momento
Ofendê-la, desgostá-la,
Quer ler em seu pensamento
E balbucia, não fala…

A mão pálida tremia
Contando o seu grande bem.
Mas, como o dele, batia
Dela o coração também.

Manuel Bandeira

Jornaleiro Amigo - Marcelo Zacarelli

Jornaleiro Amigo

Jornaleiro sim
Que vende notícia
Da ilustre revista
Se bem ou se mal
Que vende jornal
Que conta mentiras

Jornaleiro por opção
De bom coração
Não tão bom de pulmão
Um fumante confesso
De opinião e brasileiro
Com sua banca situada
Na avenida amador Bueno;

Nascido de minas
Mais preciso de guaxupé
Companheiro de Ondina
Que tomou por tua mulher
Jornaleiro honesto
Que Deus o tenha

Seu Aldo de todos
Do alto da penha;
Jornaleiro amigo
Saudoso avô
Á que mal lhe pergunte
Por que à morte te chamou.

Marcelo Zacarelli