Mostrando postagens com marcador Sophia de Mello Breyner Andresen. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sophia de Mello Breyner Andresen. Mostrar todas as postagens

Jardim Perdido - Sophia de Mello Breyner Andresen


Jardim Perdido

Jardim em flor, jardim de impossessão,
Transbordante de imagens mas informe,
Em ti se dissolveu o mundo enorme,
Carregado de amor e solidão.

A verdura das arvores ardia,
O vermelho das rosas transbordava
Alucinado cada ser subia
Num tumulto em que tudo germinava.

A luz trazia em si a agitação
De paraisos, deuses e de infernos,
E os instantes em ti eram eternos
De possibilidades e suspensão.

Mas cada gesto em ti se quebrou, denso
Dum gesto mais profundo em si contido,
Pois trazias em ti sempre suspenso
Outro jardim possivel e perdido.

Sophia de Mello Breyner Andresen



AS ROSAS

As rosas

Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.



Sophia de Mello Breyner Andresen

 

A bela e pura - Sophia de Mello Breyner Andresen


A bela e pura

A bela e pura palavra Poesia
Tanto pelos caminhos se arrastou
Que alta noite a encontrei perdida
Num bordel onde um morto a assassinou.

Sophia de Mello Breyner Andresen