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Fábula - A Lebre e a Tartaruga

A Lebre e a Tartaruga

Certo dia, a lebre que era muito convencida, desafiou a tartaruga para uma corrida, argumentando que ela era mais rápida e que a tartaruga nunca a venceria. 
Chegou o dia da corrida. A lebre e a tartaruga colocaram-se nos seus lugares e, após o sinal, partiram. A tartaruga estava a correr o mais rápido que conseguia, mas rapidamente foi ultrapassada pela lebre que percebendo já estar a uma longa distância da sua concorrente, deitou-se e dormiu. 
Enquanto a lebre dormia, não se dava conta que a lesma ía-se aproximando mais rapidamente da linha de chegada. 
Quando acordou, a lebre, horrorizada, viu que a tartaruga estava muito perto da linha de chegada. Assim, a lebre começou a correr o mais depressa que pôde, tentando, a todo o custo ultrapassar a tartaruga. Mas não conseguiu.

Moral da história: Devagar se vai ao longe!

Autor: Esopo (recontada por La Fontaine)

A Raposa e a Cegonha - Esopo

A Raposa e a Cegonha

A raposa e a cegonha mantinham boas relações e pareciam ser amigas sinceras. Certo dia, a raposa convidou a cegonha para jantar e, por brincadeira, botou na mesa apenas um prato raso contendo um pouco de sopa. Para ela, foi tudo muito fácil, mas a cegonha pode apenas molhar a ponta do bico e saiu dali com muita fome.

- Sinto muito, disse a raposa, parece que você não gostou da sopa.
- Não pense nisso, respondeu a cegonha. Espero que, em retribuição a esta visita, você venha em breve jantar comigo.

No dia seguinte, a raposa foi pagar a visita. Quando sentaram à mesa, o que havia para o jantar estava contido num jarro alto, de pescoço comprido e boca estreita, no qual a raposa não podia introduzir o focinho. Tudo o que ela conseguiu foi lamber a parte externa do jarro.

- Não pedirei desculpas pelo jantar, disse a cegonha, assim você sente no próprio estomago o que senti ontem.

(Quem com ferro fere, com ferro será ferido)

Esopo


A coruja e a águia - Esopo

A coruja e a águia

Coruja e águia, depois de muita briga, resolveram fazer as pazes.
- Basta de guerra - disse a coruja. O mundo é tão grande, e tolice maior que o mundo é andarmos a comer os filhotes uma da outra.
- Perfeitamente - respondeu a águia. - Também eu não quero outra coisa.
- Nesse caso combinemos isso: de ora em diante não comerás nunca os meus filhotes.
- Muito bem. Mas como vou distinguir os teus filhotes?
- Coisa fácil. Sempre que encontrares uns borrachos lindos, bem feitinhos de corpo, alegres, cheio de uma graça especial que não existe em filhote de nenhuma outra ave, já sabes, são os meus.
- Está feito! - concluiu a águia.
Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um ninho com três monstrengos dentro, que piavam de bico muito aberto.
- Horríveis bichos! - disse ela. Vê-se logo que não são os filhos da coruja.
E comeu-os.
Mas eram os filhos da coruja. Ao regressar à toca a triste mãe chorou amargamente o desastre e foi justar contas com a rainha das aves.
- Quê? - disse esta, admirada. Eram teus filhos aqueles monstreguinhos? Pois, olha, não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste...

MORAL: 
Quem o feio ama, bonito lhe parece.

Esopo

Fábula - O Lobo e as Ovelhas


Por Esopo
Havia guerra travada entre Lobos e Ovelhas; e ellas, ainda que fracas, ajudadas dos rafeiros, sempre levavão o melhor. Pedírão os Lobos paz, com condição que darião de penhor seus filhos, e as Ovelhas que também lhes entregassem os rafeiros. Assentadas as pazes com estas condições, os filhos dos Lobos huivavão rijamente. Acodem os Pais, tomão isto por achaque de ser a paz quebrada; e tornão a renovar a guerra. Bem quizerão defender-se as Ovelhas; mas como sua principal força consistia nos rafeiros, que entregárão aos Lobos, facilmente forão delles vencidas e todas degoladas.
MORALIDADE.
Ensina esta Fabula que ninguem entregue as armas a seus inimigos, antes tenha a paz por suspeitosa, quando com sob cabeça della lhas pedem, e recêe de ser tomado ás mãos como as Ovelhas. Também nos avisa quanto perigo he metter em casa inimigos, ou filhos de inimigos, como fizerão as Ovelhas, que querendo estar mais seguras com terem os filhos dos bos em casa, elles forão causa da sua destruição.

As Mãos, os Pés, o Estômago e o Corpo



Certo dia, as Mãos e os Pés, trocando idéias, 
começaram a se queixar das outras partes do corpo. 
No final da conversa, chegaram à conclusão que 
trabalhavam a vida inteira, custeando o Corpo e que 
tudo era mais em proveito do Estômago, que comia 
sem trabalho. Portanto, o Estômago que procurasse o 
seu sustento, porque as Mãos e os Pés não iriam mais 
dar-lhe de comer. O Estômago pediu muito, mas 
disseram que haviam tomado uma decisão. Assim, 
começaram a lhe negar comida, o que foi 
enfraquecendo-o e, com isso, o Corpo inteiro. 
Sentindo as Mãos e os Pés se enfraquecerem, 
começaram novamente a querer alimentar o 
Estômago, mas como a fraqueza fosse muita, nada 
lhes valeu, morrendo todos juntos.

Fábula - A raposa e as uvas

A raposa e as uvas (por Esopo)
Era o mês Outubro quando a história começa:

Havia duas raposas que andavam muito esfomeadas.

Indo as duas a a falar das dificuldade da falta de comida na zona. Ao passarem por uma vinha, uma delas apercebe-se de um cacho de uvas muito pequeno, numa das videiras mais altas, que não foi colhido nas vindimas. Começa então a saltar insistentemente para o alcançar, mas quanto mais tentava, mais parecia que o cacho mais alto lhe ficava.

Depois de tanto insistir e de muito se cansar foi obrigada a desistir, mas não querendo ficar mal perante a outra raposa disse:

- Também não faz mal, estavam verdes...

Moral- Quem desdenha, quer comprar.


A Águia e a Raposa - Esopo



Uma Águia, tendo filhotes em uma árvore para 
alimentar, lançou-se sobre uma moita onde haviam
dois raposinhos muito pequenos. A Raposa, vendo 
isso, correu implorando para a Águia que libertasse os 
filhotes. Mas a Águia, lá do alto, zombou das súplicas 
e disse que iria preparar a refeição em seu ninho. A 
Raposa, muito aflita, começou a cercar aquela árvore 
com muitas palhas, gravetos e ramos secos. Em 
seguida ateou fogo, de tal maneira que fez uma 
fogueira muito grande. A Águia, temerosa com a 
fumaceira e de que as labaredas atingisse seu ninho, 
soltou os filhotes da Raposa que correram para a mãe, 
ficando a ave um pouco chamuscada

O lobo e o Cordeiro - Esopo



Em um pequeno córrego, bebia água um Lobo
esfomeado, quando chegou, mais abaixo da corrente 
de água um Cordeiro, que começou também a beber. 
O Lobo olhou com os olhos sanguinários e 
arreganhando os dentes disse: - Como ousas turvar a 
água onde bebemos? O Cordeiro respondeu com 
humildade: - Eu estou abaixo de onde bebes e não 
poderia sujar a tua água. O Lobo, mostrando-se mais 
raivoso tornou a falar: - Por isso, tens que praguejar?
Há seis meses teu pai também me ofendeu! 
Respondeu o Cordeiro: - Creio que há um engano, 
porque eu nasci há apenas três meses, então não havia 
nascido e por isso não tenho culpa. O Lobo replicou: -
Tens culpa pelo estrago que fizestes pastando em meu 
campo. Disse o Cordeiro: - Isso não parece possível, 
porque ainda não tenho dentes. O Lobo, sem mais 
razões, saltou sobre o Cordeiro, e o comeu.

Fábula - O Casamento do Sol


Por Esopo

O Casamento do Sol.
Dizem que em certo tempo desejou o Sol de se casar, e todas as gentes, aggravadas disso, se forão queixar a Jupiter, dizendo: Que no Estio trabalhosamente soffrião hum Sol, que com seus raios os abrasava, donde inferião e provavão que se o Sol casasse e viesse a ter filhos, queimaria o mundo todo; porque hum Sol faria Verão calmoso na India, outro em Grecia, outro na Noruega e terras septentrionaes; pelo que sendo todas as tres zonas torridas não terião gentes onde viver. Visto isto por
Jupiter, mandou que não casasse.
MORALIDADE.
Todos os homens tem obrigação de estorvar que se multiplique o numero dos máos e desalmados, e dos que desafforadamente faixem aggravos a seu proximo, como nesta Fabula se finge que era o Sol, e devem pedir a Deos que os emende ou os tire do mundo, e dar favor á justiça, para que possa castigalos.

O Asno e o Leão - Esopo



O Asno, simplório e ignóbil, encontrou-se com o Leão 
em um caminho e, presunçoso, atreveu-se dizendo: -
Saia do meu caminho e vá embora. O Leão parou, 
verificando esse desatino e ousadia, mas prosseguiu 
seu caminho, dizendo: - Seria muito fácil matar e 
desfazer-me deste imbecil; porém não quero nem sujar 
meus dentes, nem minhas unhas, em carne tão bestial 
e fraca. Assim passou, sem fazer caso do Asno.

O Cão e a Sombra


Um Cão levava na boca um pedaço de carne quando,
ao passar por um riacho, viu no fundo da água a
sombra da carne que parecia maior. Soltou a que
levava nos dentes para tentar pegar a que via na água.
O riacho levou para sua correnteza a verdadeira carne
e a sombra, ficando o Cão sem uma nem outra.

Fábula - O Galo de Briga e a Águia


Por Esopo
Dois galos estavam disputando em feroz luta, o direito de comandar o galinheiro. Ao fim da luta o galo derrotado afastou-se e foi se recolher num canto sossegado. O vencedor, voou até o alto de um muro, bateu as asas e cantou com toda sua força. Uma águia que pairava ali perto lançou-se sobre ele e com um bote certeiro levou-o preso em suas poderosas garras. O galo derrotado saiu de seu canto e daí em diante reinou absoluto e livre de concorrência.
Moral da história:
O orgulho e a arrogância é o caminho mais curto para a ruína e o infortúnio.

O Galo e a Pérola - Esopo



Um galo, que ciscava no terreiro para encontrar
alimento, fossem migalhas, ou bichinhos para comer,
acabou encontrando uma pérola preciosa. Após
observar sua beleza por um instante, disse: - Ó linda e
preciosa pedra, que reluz seja com o sol, seja com a
lua, ainda que esteja num lugar sujo, se te encontrasse
um humano, fosse ele um construtor de jóias, uma
dama que gostasse de enfeites, ou mesmo um
mercenário, te recolherias com muita alegria, mas a
mim de nada prestas pois que é mais importante uma
migalha, um verme, ou um grão que sirvam para o
sustento. Dito isto, a deixou e seguiu esgravatando 
para buscar conveniente mantimento.

A Andorinha e as Outras Aves - Esopo



Estavam os homens semeando algodão e linho.
Observando-os, a Andorinha disse aos outros
pássaros: - Será para o nosso mal o que os homens
estão plantando, pois dessas sementes nascerão
algodão e linho, depois eles farão laços e redes para
nos prenderem. Melhor seria destruirmos o que for
nascendo para que estejamos seguras. As Outras Aves
riram muito e não quiseram seguir o conselho. A
Andorinha, vendo isso, fez as pazes com os homens e
foi viver perto de suas casas. Depois de algum tempo,
os homens fizeram laços, redes e instrumentos de
caça, com os quais passaram a prender as Outras
Aves, preservando a Andorinha.