Do que gosto
Á SOPHIA.
Eu gosto de ver o mar azulado
Douradas areias sereno banhar;
Eu gosto de vel-o bramir iracundo
E sobre rochedos a fúria quebrar.
Eu gosto de ver um céu de saphiras,
Um céu de Janeiro com almo luar;
Eu gosto de vel-o bem negro e medonho
Terrível mostrando querer desabar.
Eu gosto de ver o sol radiante
No rôxo horisonte formoso assomando;
Eu gosto de vel-o, da tarde no termo,
A fronte abrasada no mar mergulhando.
Eu gosto de ver a triste rolinha
Carpir do consorte saudades na ausencia;
Eu gosto de vel-a amante, extremosa,
Manter dos filhinhos a tenue existencia.
Eu gosto de ver a rosa entre-aberta,
E mais—rociada das gôtas do orvalho;
Eu gosto de vel-a, nos dias d’inverno,
Em triste desmaio pendente do galho.
Eu gosto de ver o niveo cordeiro
Na relva viçosa mansinho dormindo;
Eu gosto de ver o tigre indomável
No centro das matas sanhudo rugindo,
Eu gosto de ver um campo esmaltado
De bellas florinhas, que espalhem odor;
Eu gosto de vel-o bem àrido, inculto,
Sem flor, sem perfumes, que inspirem amor.
E mais que do sol, do céu, do cordeiro,
Do campo, da rosa, da rôla e do mar,
Eu gosto de ver da linda Sophia
Um riso nos lábios, divino, pousar.
Adélia Fonseca
fonte: pt.wikisource.org
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Ao amor - Adélia Fonseca
Ao amor
Amor! teu nome querido
Quanto é dòce proferir!
Mas quanto não é mais dòce
No coração te sentir!
Nume, que as almas abrasas
Co'a chamma dos fogos teus
Immensa como o oceano,
Infinita como Deus!
Não seres illimitado,
Fôra loucura pensar;
Ao teu despotico império
Quem póde um termo assignar?
Nos corações onde reinas,
Tens poder mysterioso;
Ao bom, as vezes, máu tornas ;
Tornas ao máu, virtuoso!
Ou feliz, ou desgraçado
Possuir-te é bem superno,
Quer ao céo nos arrebates,
Quer nos despenhes no inferno!!
Inferno?!... ao seio onde existas
Póde tal nome caber?
Póde soffrer d'elle as penas
Quem n'alma altares te erguer?!
De tuas magas virtudes
A mais celeste, a mais pura,
É permittires que achemos
No soffrimento a doçura!
É fazeres que teus golpes
Queiramos antes soffrer,
Que sentir no peito um vácuo
Que mais nada póde encher!
Do mundo as realidades,
Que mais cobiçadas são,
Amor! amor! eu não tróco
Por uma tua illusão!
Amor! qual eu te imagino
Nos dourados sonhos meus,
És um resumo das glorias,
Das harmonias de Deus!
Adélia Fonseca
Amor! teu nome querido
Quanto é dòce proferir!
Mas quanto não é mais dòce
No coração te sentir!
Nume, que as almas abrasas
Co'a chamma dos fogos teus
Immensa como o oceano,
Infinita como Deus!
Não seres illimitado,
Fôra loucura pensar;
Ao teu despotico império
Quem póde um termo assignar?
Nos corações onde reinas,
Tens poder mysterioso;
Ao bom, as vezes, máu tornas ;
Tornas ao máu, virtuoso!
Ou feliz, ou desgraçado
Possuir-te é bem superno,
Quer ao céo nos arrebates,
Quer nos despenhes no inferno!!
Inferno?!... ao seio onde existas
Póde tal nome caber?
Póde soffrer d'elle as penas
Quem n'alma altares te erguer?!
De tuas magas virtudes
A mais celeste, a mais pura,
É permittires que achemos
No soffrimento a doçura!
É fazeres que teus golpes
Queiramos antes soffrer,
Que sentir no peito um vácuo
Que mais nada póde encher!
Do mundo as realidades,
Que mais cobiçadas são,
Amor! amor! eu não tróco
Por uma tua illusão!
Amor! qual eu te imagino
Nos dourados sonhos meus,
És um resumo das glorias,
Das harmonias de Deus!
Adélia Fonseca
Adélia Fonseca - Como tu és
Como tu és
À Angelina
Angelina és tão formosa,
Como a rosa
Em fresca aurora d’estio;
És pura como a corrente,
Transparente,
Do mais crystallino rio.
És qual estrella brilhante,
Rutilante,
No firmamento azulado;
Faz da terra um paraiso
Teu sorriso,
O teu sorriso engraçado.
Tua voz harmoniosa,
Maviosa,
Iguala á do rouxinol;
São teus olhos tão formosos,
Luminosos
Como dous raios do sol.
Tu és tão meiga e innocente,
Como o ente
Na madrugada da vida;
Es tão grata e prazenteira,
Qual primeira
Prova de amor não-mentida.
És léda como a menina,
Pequenina,
Pelos jardins a folgar;
És suave como a brisa,
Que amenisa
Linda noite de luar.
És casta como o materno
Beijo terno
Na face do filho amado;
És divina como um canto,
Sacro-santo,
Por seraphins modulado.
És doce como a esperança,
Que descansa
N’alma do fiel christão;
Dos anjos a santidade,
À bondade,
Reside em teu coração.
Adélia Fonseca
À Angelina
Angelina és tão formosa,
Como a rosa
Em fresca aurora d’estio;
És pura como a corrente,
Transparente,
Do mais crystallino rio.
És qual estrella brilhante,
Rutilante,
No firmamento azulado;
Faz da terra um paraiso
Teu sorriso,
O teu sorriso engraçado.
Tua voz harmoniosa,
Maviosa,
Iguala á do rouxinol;
São teus olhos tão formosos,
Luminosos
Como dous raios do sol.
Tu és tão meiga e innocente,
Como o ente
Na madrugada da vida;
Es tão grata e prazenteira,
Qual primeira
Prova de amor não-mentida.
És léda como a menina,
Pequenina,
Pelos jardins a folgar;
És suave como a brisa,
Que amenisa
Linda noite de luar.
És casta como o materno
Beijo terno
Na face do filho amado;
És divina como um canto,
Sacro-santo,
Por seraphins modulado.
És doce como a esperança,
Que descansa
N’alma do fiel christão;
Dos anjos a santidade,
À bondade,
Reside em teu coração.
Adélia Fonseca
Meus desejos - Adélia Fonseca
Meus desejos
Eu quisera dizer-te, meu anjo,
Quanto és por minh'alma adorada;
Eu quisera mostrar-te que trago
Tua imagem no peito gravada.
Eu quisera, que a sabia natura
Seus primores p’ra ti reservasse;
Eu quisera, que o Deus de bondade
De mil ditas teus dias c’roasse.
Eu quisera, de todo o universo
Sobre o trono melhor te assentar;
Eu, enfim, desejara ser homem
E poético amor te ofertar.
Só em ti, enlevado, veria
O meu voto mais caro cumprido;
Quando um’alma, que a minha entendesse,
Ao Eterno eu houvesse pedido.
Tu então realisaras, meu anjo,
Meu querido ideal amoroso ;
Tu me deras do céu as delícias;
Eu seria o mortal mais ditoso.
Adélia Fonseca
Eu quisera dizer-te, meu anjo,
Quanto és por minh'alma adorada;
Eu quisera mostrar-te que trago
Tua imagem no peito gravada.
Eu quisera, que a sabia natura
Seus primores p’ra ti reservasse;
Eu quisera, que o Deus de bondade
De mil ditas teus dias c’roasse.
Eu quisera, de todo o universo
Sobre o trono melhor te assentar;
Eu, enfim, desejara ser homem
E poético amor te ofertar.
Só em ti, enlevado, veria
O meu voto mais caro cumprido;
Quando um’alma, que a minha entendesse,
Ao Eterno eu houvesse pedido.
Tu então realisaras, meu anjo,
Meu querido ideal amoroso ;
Tu me deras do céu as delícias;
Eu seria o mortal mais ditoso.
Adélia Fonseca
Porque te amo - Adélia Fonseca
Porque te amo
Eu te amo, porqu'és bella,
E singela
Como a estrella
Do matinal, primo albor,
Quando, a aurora apparecendo,
Vai perdendo,
Vai perdendo o seu fulgor.
Porqu'és como a fonte pura,
Que murmura
Com doçura
Por seixinhos discorrendo;
Como entre-aberto jasmim
'N um jardim
Grato aroma rescendendo.
Porque tens nos olhos divos,
Expressivos,
Attractivos,
Attrativos de matar,
Quando estão meio-cerrados,
Enlevados...
Enlevados a scismar!...
Porque teu nevado seio,
Terno anceio,
Com receio,
Com receio faz mover ;
Porqu'escondes um segredo...
Que tens medo,
Que tens medo de dizer.
Eu te amo porqu'entendes
E compr hendes
Do Bardo o dôce cantar;
Porque fólgas de escutal-o;
Porque góstas de imital-o,
E sabes aprecial-o
Em seu poético amar.
És dos Poétas o sonho,
Que, risonho,
Mais lhes enche os corações.
Enlevado no teu riso,
O Trovador, d'improviso,
Um anjo do paraíso
Descreve em suas canções.
Adélia Fonseca
fonte: pt.wikisource.org
Eu te amo, porqu'és bella,
E singela
Como a estrella
Do matinal, primo albor,
Quando, a aurora apparecendo,
Vai perdendo,
Vai perdendo o seu fulgor.
Porqu'és como a fonte pura,
Que murmura
Com doçura
Por seixinhos discorrendo;
Como entre-aberto jasmim
'N um jardim
Grato aroma rescendendo.
Porque tens nos olhos divos,
Expressivos,
Attractivos,
Attrativos de matar,
Quando estão meio-cerrados,
Enlevados...
Enlevados a scismar!...
Porque teu nevado seio,
Terno anceio,
Com receio,
Com receio faz mover ;
Porqu'escondes um segredo...
Que tens medo,
Que tens medo de dizer.
Eu te amo porqu'entendes
E compr hendes
Do Bardo o dôce cantar;
Porque fólgas de escutal-o;
Porque góstas de imital-o,
E sabes aprecial-o
Em seu poético amar.
És dos Poétas o sonho,
Que, risonho,
Mais lhes enche os corações.
Enlevado no teu riso,
O Trovador, d'improviso,
Um anjo do paraíso
Descreve em suas canções.
Adélia Fonseca
fonte: pt.wikisource.org
Ao meu coração - Adélia Fonseca
Ao meu coração
Porque estás tão apressado,
Coração, a palpitar?
Queres, deixando meu peito,
Por esses ares voar?
Queres do meu pensamento
A carreira acompanhar?
Queres, misero insensato,
Este desejo cumprir?
Intentas da fantasia
Os amplos voos seguir?
Buscas, vencendo a distancia,
Tua saudade extinguir?...
Esta saudade tão funda,
Tão viva, tão pertinaz,
Que te faz tão desgraçado,
Que tão ditoso te faz?
Que tanto te amarga ás vezes
Que ás vezes tanto te apraz?
Pretendes tu, pobre louco,
Tuas dores aumentar?
Desejas ao lado — d’Elle —
De martírios te fartar?
Queres nos olhos, que adoras
Mais desenganos buscar?
Si ao excesso do tormento
Tivesses de sucumbir,
Quem tanto havia de ama-lo,
Deixando tu de existir?
Quem ousaria contigo
Em firmeza competir?
E ele, onde poderia
Tão soberano reinar?
Onde iria sua imagem
Obter tão devoto altar,
E tão desvelado culto,
Tão fervoroso, encontrar?
Deixa ir só meu pensamento,
De seus voos na amplidão;
Quem sabe se ao lado de outra
O acharás, coração?
Morre embora de saudade;
Porem de ciúme... não!
Adélia Fonseca
Porque estás tão apressado,
Coração, a palpitar?
Queres, deixando meu peito,
Por esses ares voar?
Queres do meu pensamento
A carreira acompanhar?
Queres, misero insensato,
Este desejo cumprir?
Intentas da fantasia
Os amplos voos seguir?
Buscas, vencendo a distancia,
Tua saudade extinguir?...
Esta saudade tão funda,
Tão viva, tão pertinaz,
Que te faz tão desgraçado,
Que tão ditoso te faz?
Que tanto te amarga ás vezes
Que ás vezes tanto te apraz?
Pretendes tu, pobre louco,
Tuas dores aumentar?
Desejas ao lado — d’Elle —
De martírios te fartar?
Queres nos olhos, que adoras
Mais desenganos buscar?
Si ao excesso do tormento
Tivesses de sucumbir,
Quem tanto havia de ama-lo,
Deixando tu de existir?
Quem ousaria contigo
Em firmeza competir?
E ele, onde poderia
Tão soberano reinar?
Onde iria sua imagem
Obter tão devoto altar,
E tão desvelado culto,
Tão fervoroso, encontrar?
Deixa ir só meu pensamento,
De seus voos na amplidão;
Quem sabe se ao lado de outra
O acharás, coração?
Morre embora de saudade;
Porem de ciúme... não!
Adélia Fonseca
A despedida - Adélia Fonseca
A despedida
Á Elisa.
Tu, Elisa, te vais e me deixas,
E me deixas profunda saudade;
Sem querer, despedaças o peito,
Que te vóta a mais santa amisade.
Quando penso que vais, minha Elisa,
Habitar tão distante de mim,
Eu pergunto ao meu Deos: «Que te hei feito
«Para iroso punires-me assim?
«Tu, Senhor, qu’és tão bom, porque roubas
«O consôlo de minha existencia?
«Porque fazes que misera eu soffra
«O terrivel martyrio da ausencia?
«Não me leves a amiga sincera,
«Que me tem extremosa affeição;
«Esta amiga, que irmã considero,
«Bem querida, do meu coração.
«Ah! consente, Senhor, que ella fique,
»E que viva p’ra sempre a meu lado;
«Que de perto eu adore as virtudes
«De que tens a su’alma adornado.
Eis, Elisa adorada, as palavras,
Que dirijo incessante ao Senhor,
Tendo o rôsto de pranto inundado,
Tendo o peito partido de dor.
Mas ainda me anima a esperança
De que Deus minha prece ouvirá,
E das lagrimas tristes que verte
Meu amor, piedade terá.
E si a minha oração fervorosa
Pelo Eterno não fôr attendida;
Si, apezar d'imploral-o, chorando,
Ordenar tua dura partida;
Eu te juro que sempre hei de amar-te
Co'a mais terna e profunda affeição;
Eu te juro, fiel, tua imagem
Guardar sempre no meu coração.
Adélia Fonseca
Á Elisa.
Tu, Elisa, te vais e me deixas,
E me deixas profunda saudade;
Sem querer, despedaças o peito,
Que te vóta a mais santa amisade.
Quando penso que vais, minha Elisa,
Habitar tão distante de mim,
Eu pergunto ao meu Deos: «Que te hei feito
«Para iroso punires-me assim?
«Tu, Senhor, qu’és tão bom, porque roubas
«O consôlo de minha existencia?
«Porque fazes que misera eu soffra
«O terrivel martyrio da ausencia?
«Não me leves a amiga sincera,
«Que me tem extremosa affeição;
«Esta amiga, que irmã considero,
«Bem querida, do meu coração.
«Ah! consente, Senhor, que ella fique,
»E que viva p’ra sempre a meu lado;
«Que de perto eu adore as virtudes
«De que tens a su’alma adornado.
Eis, Elisa adorada, as palavras,
Que dirijo incessante ao Senhor,
Tendo o rôsto de pranto inundado,
Tendo o peito partido de dor.
Mas ainda me anima a esperança
De que Deus minha prece ouvirá,
E das lagrimas tristes que verte
Meu amor, piedade terá.
E si a minha oração fervorosa
Pelo Eterno não fôr attendida;
Si, apezar d'imploral-o, chorando,
Ordenar tua dura partida;
Eu te juro que sempre hei de amar-te
Co'a mais terna e profunda affeição;
Eu te juro, fiel, tua imagem
Guardar sempre no meu coração.
Adélia Fonseca
A saudade - Adélia Fonseca
A saudade
No meu seio uma flor d’esperança
Cultivei com desvelo perfeito;
Mas o rijo tufão da desgraça
Arrancou-me a florinha do peito.
Ella foi ’n um abysmo funesto
De cruel desengano cahir,
E após veio a mais negra saudade
Com espinhos minh’alma pungir.
Tu ao menos, ó flor de infelizes,
Tu ao menos não me has de deixar;
Si a desgraça plantou-te em meu peito,
D’elle mais te não póde arrancar.
Essas vãs alegrias do mundo,
Esses gozos que o mundo aprecia,
Eu os tróco, saudade adorada,
Pela tua fiel companhia.
Emquanto eu existir, do martyrio,
Vivirás, p’ra me dares a palma;
Si a ventura tentasse levar-te,
Levaria comtigo minh’alma.
Tu ao menos, ó flor de infelizes,
Tu ao menos não me has de deixar;
Si a desgraça plantou-te em meu peito,
D’elle mais te não póde arrancar.
Nem espero que mude meu fado;
E si attento em meu triste futuro,
Nelle vejo — indiziveis angustias
Um sepulchro cavando-me escuro!
Praza a Deus, que com tantos desgostos,
Minha pobre razão não feneça;
Que a saudade me não desampare,
Nem seu dôce motivo eu esqueça.
Sim, permitte, Senhor, que em minh’alma
Ache sempre uma imagem querida,
Que, a despeito da sorte mesquinha,
Me atormente, encantando-me a vida.
Que essas vãs alegrias do mundo,
Esses gozos que o mundo aprecia,
Da saudade adorada eu os tróco
Pela dôce e fiel companhia.
Adélia Fonseca
No meu seio uma flor d’esperança
Cultivei com desvelo perfeito;
Mas o rijo tufão da desgraça
Arrancou-me a florinha do peito.
Ella foi ’n um abysmo funesto
De cruel desengano cahir,
E após veio a mais negra saudade
Com espinhos minh’alma pungir.
Tu ao menos, ó flor de infelizes,
Tu ao menos não me has de deixar;
Si a desgraça plantou-te em meu peito,
D’elle mais te não póde arrancar.
Essas vãs alegrias do mundo,
Esses gozos que o mundo aprecia,
Eu os tróco, saudade adorada,
Pela tua fiel companhia.
Emquanto eu existir, do martyrio,
Vivirás, p’ra me dares a palma;
Si a ventura tentasse levar-te,
Levaria comtigo minh’alma.
Tu ao menos, ó flor de infelizes,
Tu ao menos não me has de deixar;
Si a desgraça plantou-te em meu peito,
D’elle mais te não póde arrancar.
Nem espero que mude meu fado;
E si attento em meu triste futuro,
Nelle vejo — indiziveis angustias
Um sepulchro cavando-me escuro!
Praza a Deus, que com tantos desgostos,
Minha pobre razão não feneça;
Que a saudade me não desampare,
Nem seu dôce motivo eu esqueça.
Sim, permitte, Senhor, que em minh’alma
Ache sempre uma imagem querida,
Que, a despeito da sorte mesquinha,
Me atormente, encantando-me a vida.
Que essas vãs alegrias do mundo,
Esses gozos que o mundo aprecia,
Da saudade adorada eu os tróco
Pela dôce e fiel companhia.
Adélia Fonseca
À pedido - Adélia Fonseca
À pedido
Eu ingenho não tenho sublime,
Que te possa o que sinto, expressar;
Minha lira não tem a doçura,
Com que deve teus dotes cantar.
Pra dizer-te somente, que és bella,
Não se hão de meus lábios abrir;
Que a lindeza, que tens no semblante,
Esta frase não pode exprimir.
O teu rosto, que as graças enfeitam,
Chamar belo — é mui fraca expressão,
Elle aos olhos o tipo apresenta
De sublime, ideal perfeição.
Eu não sei nesta folha querida
Dedicar-te um louvor que me agrade ;
Nela apenas escrevo um protesto
De extremosa, sincera amizade.
Adélia Fonseca
Eu ingenho não tenho sublime,
Que te possa o que sinto, expressar;
Minha lira não tem a doçura,
Com que deve teus dotes cantar.
Pra dizer-te somente, que és bella,
Não se hão de meus lábios abrir;
Que a lindeza, que tens no semblante,
Esta frase não pode exprimir.
O teu rosto, que as graças enfeitam,
Chamar belo — é mui fraca expressão,
Elle aos olhos o tipo apresenta
De sublime, ideal perfeição.
Eu não sei nesta folha querida
Dedicar-te um louvor que me agrade ;
Nela apenas escrevo um protesto
De extremosa, sincera amizade.
Adélia Fonseca
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