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O teu olhar - Zacarias Martins


O TEU OLHAR

O teu olhar é diferente
dos olhares que o meu já encontrou.
É um olhar muito atraente,
que de repente, me enfeitiçou.

O teu olhar tem mais vida,
mais brilho, beleza e cor.
O teu olhar, minha querida,
confesso, me conquistou.

Não, não sei explicar
o que se passa no teu olhar.
Só sei que me enche de emoção.

E quando estás me olhando
eu vou me controlando,

dizendo: agüenta coração!

Zacarias Martins


Os teus olhos! - José da Silva Maia Ferreira

Os teus olhos!

Oh! que lume tão brilhante
E tão meigo e tão constante
Tem teus olhos a luzir,
Brilham mais do que as estrellas
As mais fermosas e bellas —
No firmamento a fulgir!

Não são negros côr da noite
Que desses eu já descri —
Não são garços — que esses mentem
Que por elles já morri!

Nem dos pardos a magia —
Que só dizem — simpathia —
Tem seu brilho e seu fulgor —
Não ha no mundo expressão
Que designe o seu condão
Quando só fallam de amor!

São da côr qu’exprime n’alma
O transporte em doce calma
São olhos que tem surrir!
O mundo não tem iguaes
Teus fulgores divinaes —
Sempre, sempre hei de os sentir!

Magos encantos revela
A tua imagem primorosa
Respiras o odôr da roza
Igualas uma deidade!
Alma d’Anjo! oh! tem piedade!....

José da Silva Maia Ferreira


Olhos verdes - Bernardo Guimarães

Olhos verdes

Eu conheço uns lindos olhos,
Que fazem morrer de amor,
Têm a verde e linda cor
Que tem o mar em bonança.
Ai de mim, que nesses olhos
Hei posto minha esperança!

São brilhantes e formosos
Como dous astros sem véu
A sorrir em puro céu
Em noite serena e mansa.
Mas nesses astros brilhantes
Não vejo luz de esperança.

Já não creio em olhos verdes;
Olhos verdes são traidores,
São fanais enganadores,
Não inspiram confiança.
Sabem só matar de amores
Sem nunca dar esperança.

Antes nunca eu visse os olhos,
Que fazem morrer de amor,
E que têm a linda cor
Que tem o mar em bonança.
Ai de mim, que nesses olhos
Não tenho mais esperança.

Bernardo Guimarães

Olho - Anderson de Araújo Horta

Olho

Aspiro
Escuto

Nas divisas da noite e do dia
há qualquer coisa indefinível

A janela ainda não se abriu completamente
Talvez o ato se confunda com a vontade
onde a urgência cristalizou na expectativa

Em verdade ainda não se vê
não se aspira e nem se escuta
embora tenhamos consciência da presença
inadiável do milagre

Anderson de Araújo Horta


Soneto do Olhar - Alphonsus de Guimaraens

Soneto do Olhar
Que olhar de monja em longa penitência
O olhar daqueles olhos macerados!
Pairava-lhe talvez na morna essência
Uma alma carregada de pecados.

Para que mundos, para que existência,
Tão além desta vida, ei-los voltados!
Ó inacessível, mística dolência
De uns olhos a sonhar outros noivados...

Voz do passado, som que ressuscita!
Olhar tão cheio de palavras mortas
Daqui por certo que não pode ser...

Alma, para me ver, Alma bendita,
Põe-te de luto nessas duas portas
Com uma tristeza de quem vai morrer...

Alphonsus de Guimaraens