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O barquinho viajante - Vídeo poesia infantil

O barquinho viajante

Era uma vez um barquinho
Que vivia navegando no mar
mas ele estava sempre sozinho
no oceano triste a flutuar

Certo dia, vagando sem rumo
numa noite bonita de luar
o barquinho ficou alegre
quando viu outro barco a navegar

Eles se tornaram bons amigos
e pelo mundo seguiram a viajar
Navegando sempre unidos
conhecendo cada dia um novo lugar



As Flores - Olavo Bilac

 As Flores

Deus ao mundo deu a guerra,
A doença, a morte, as dores;
Mas, para alegrar a terra,
Basta haver-lhe dado as flores.

Umas, criadas com arte,
Outras, simples e modestas,
Há flores por toda a parte
Nos enterros e nas festas,

Nos jardins, nos cemitérios,
Nos paúes e nos pomares;
Sobre os jazigos funéreos,
Sobre os berços e os altares,

Reina a flor! pois quis a sorte
Que a flor a tudo presida,
E também enfeite a morte,
Assim como enfeita a vida.

Amai as flores, crianças!
Sois irmãs nos esplendores,
Porque há muitas semelhanças
Entre as crianças e as flores...

Olavo Bilac

Meiguice - Adelina Lopes Vieira

Meiguice

Deram à linda Clarisse
uma gatinha mimosa,
tão branca, tão carinhosa,
tão engraçada, tão mansa
que a encantadora criança
por nome lhe pôs — Meiguice.

Tinha bom leite ao almoço
e biscoitos e bolinhos;
dormia em sedas e armarinhos,
e ronronava fagueira
quando sentia a coleira
de fita azul, no pescoço.

Clarisse amava deveras
a bichinha cor de neve
e a gata, nervosa e leve,
adorava a pequenita;
e tinham graça infinita,
estas amigas sinceras!

Veio Raul, o mais louro
e traquinas dos rapazes,
forte e audaz entre os audazes,
fanfarrão e desordeiro;
correu a casa ligeiro
indo encontrar o tesouro,

a doce e branca Meiguice,
deitada comodamente
na cama fofinha e quente
da prima, e gritou: — Que vejo?
um bicho tão malfazejo,
sobre o leito de Clarisse!

E... zás, suspendeu a gata
pela coleira de fita,
atirou a pobrezita,
ao jardim e, satisfeito,
à priminha o heróico feito
foi contar como bravata.

Debatia-se Meiguice,
no lago, fria, transida,
a morrer.
O gaticida
sentiu remorso pungente
ao ver o pranto tremente
no olhar azul de Clarisse.

E... correndo, denodado,
deitou-se ao lago profundo,
(dois palmos d'água); do fundo
tirou Meiguice, e ofegante
disse em tom dilacerante:
— Salvei-a!
— Estou perdoado?


Adelina Lopes Vieira

Clarice Pacheco - Viajar pela leitura

Viajar pela leitura

Viajar pela leitura
sem rumo, sem intenção.
Só para viver a aventura
que é ter um livro nas mãos.
É uma pena que só saiba disso
quem gosta de ler.
Experimente!
Assim sem compromisso,
você vai me entender.
Mergulhe de cabeça
na imaginação!

Clarice Pacheco

Poesia infantil - As Borboletas (Vinícius de Moraes)

As Borboletas

Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas 
Borboletas

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam de muita luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então
Oh, que escuridão!

(Vinícius de Moraes)



O Direito das Crianças - Poesia infantil (Ruth Rocha)

O Direito das Crianças 

Toda criança no mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.

Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.

Não é questão de querer
Nem questão de concordar
Os diretos das crianças
Todos tem de respeitar.

Tem direito à atenção
Direito de não ter medos
Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.

Mas criança também tem
O direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter lápis de colorir...

Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.

Descer do escorregador,
Fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinhação.

Morango com chantilly,
Ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola,bola, bola!

Lamber fundo da panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!

Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.


(Ruth Rocha)

O arco-íris (Clarice Pacheco)

O arco-íris

O arco-íris
que brota do chão
sete cores o enfeitam
parece pintado à mão.

O arco-íris
será um dia
um grande escorregador
de alegria.

O arco-íris
não há mais nada a dizer
além de um sonho
o que mais pode ser!

Clarice Pacheco

O mundo inteiro - Liz Garton Scanlon

O mundo inteiro

A rocha, a pedra, a areia, o seixo
O braço, o ombro, o rosto, o queixo
Um buraco pra cavar e uma concha pra guardar
O mundo inteiro é um vasto lugar

O mel, a abelha, o favo, o zumbido
O sabugo, a espiga, o milho cozido
O tomate vermelho, a erva de cheiro
O mundo inteiro é um canteiro

O tronco, o toco, o ramo, o carvalho
Trepar no alto, ficar sobre o galho
Ver a manhã passar neste abrigo
O mundo inteiro é novo e antigo

A rua, a via, a travessa, o caminho
O navio, a jangada, a vela, o barquinho
O ninho, a ave, a nuvem cinzenta
O mundo inteiro sopra e venta

Corre, tropeça, escorrega, olha a lama!
Vira o balde, derruba, esparrama
A sorte volta em outro momento
O mundo inteiro segue em movimento

A mesa, a prato, a faca, o saleiro
A barriga faminta, o jantar vem ligeiro
O pão, a farinha, o caldeirão fervente
O mundo inteiro é o frio e quente

O sol se pondo, a sombra repentina
O fim do dia, o grilo, a cortina
Um fogo leva o frio embora
O mundo inteiro descansa uma hora

Os avós, os pais, os parentes, os primos
O piano, a harpa e o violino
De colo em colo segue o bebê
O mundo innteiro somos eu e você

Tudo o que se escuta, sente e vê
O mundo inteiro é tudo isso
Tudo isso somos eu e você

A paz, a esperança e o amor verdadeiro
Nós somos o mundo inteiro

Liz Garton Scanlon
Tradução de Marília Garcia

Vinícius de Moraes - O Elefantinho

O Elefantinho

Onde vais, elefantinho
Correndo pelo caminho
Assim tão desconsolado?
Andas perdido, bichinho
Espetaste o pé no espinho
Que sentes, pobre coitado?
— Estou com um medo danado
Encontrei um passarinho!


Vinícius de Moraes

Ficção Científica - José Paulo Paes

Ficção Científica

Depois de uma viagem
pelo espaço sideral,
o astronauta chegou ao seu destino final:

Um planeta diferente
cujo em-cima estava em-baixo
e o atrás ficava na frente.

Um planeta tão estranho
que a sujeira era limpa
e a água tomava banho

Um planeta mesmo louco
onde o muito era nada
e o tudo muito pouco.

Um planeta dos mais raros:
o seu ouro era de graça,
o lixo custava caro.

O astronauta não gostou
e foi-se embora. Quando
pensou estar muito longe,
Viu-se outra vez chegando

num planeta onde, aliás,
o em-baixo ficava em-cima
e a frente estava por trás...

José Paulo Paes

Poema Infantil - A Arca de Noé (Vinícius de Moraes)

A Arca de Noé

Sete em cores, de repente
O arco-íris se desata
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata.
O sol, ao véu transparente
Da chuva de ouro e de prata
Resplandece resplendente
No céu, no chão, na cascata.

E abre-se a porta da Arca
De par em par: surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca

Noé, o inventor da uva
E que, por justo e temente
Jeová, clementemente
Salvou da praga da chuva.

Tão verde se alteia a serra
Pelas planuras vizinhas
Que diz Noé: "Boa terra
Para plantar minhas vinhas!"

E sai levando a família
A ver; enquanto, em bonança
Colorida maravilha
Brilha o arco da aliança.

Ora vai, na porta aberta
De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante.

E logo após, no buraco
De uma janela, aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece.

Enquanto, entre as altas vigas
Das janelinhas do sótão
Duas girafas amigas
De fora a cabeça botam.

Grita uma arara, e se escuta
De dentro um miado e um zurro
Late um cachorro em disputa
Com um gato, escouceia um burro.

A Arca desconjuntada
Parece que vai ruir
Aos pulos da bicharada
Toda querendo sair.
Vai! Não vai! Quem vai primeiro?
As aves, por mais espertas
Saem voando ligeiro
Pelas janelas abertas.

Enquanto, em grande atropelo
Junto à porta de saída
Lutam os bichos de pelo
Pela terra prometida.

"Os bosques são todos meus!"
Ruge soberbo o leão
"Também sou filho de Deus!"
Um protesta; e o tigre — "Não!"

Afinal, e não sem custo
Em longa fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais.

Os maiores vêm à frente
Trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida.

Conduzidos por Noé
Ei-los em terra benquista
Que passam, passam até
Onde a vista não avista

Na serra o arco-íris se esvai . . .
E . . . desde que houve essa história
Quando o véu da noite cai
Na terra, e os astros em glória

Enchem o céu de seus caprichos
É doce ouvir na calada
A fala mansa dos bichos
Na terra repovoada.


(Vinícius de Moraes)


Papai Noel - Elias José (Poesia Infantil)

Papai Noel

Papai Noel
Eu sei que não tem.
Mas no Natal fico quietinho
Esperando meu presente.
O que é que tem?

Peço o presente antes,
Muito antes do Natal

Quando o ano começa,
Já fico namorando o presente
Em toda loja que passo.
Só que não tem graça
Presente na loja.
A gente olha de graça,
Mas não é da gente,
É do dono da loja.

Mas, de repente,
O Natal chega
E o presente fica diferente,
Fica todo encantado,
Não sei bem
O que presente tem,
A gente.

Acho que é uma saudade,
Um sonho antigo
E a fantasia com papai Noel
Que fazem o presente mais presente

Elias José

Como fazer um poema - Carlo dos Santos


Como fazer um poema

Para fazer um poema,

Basta usar a imaginação,
Escolher um tema,
E escrever com paixão.

Carlo dos Santos


Carlos Drummond de Andrade - No banco de Jardim (Poesia Infantil)

No banco de jardim

No banco de jardim,
o tempo se desfaz
e resta entre ruídos
a corola de paz.

No banco de jardim,
a sombra se adelgaça
e entre besouro e concha
de segredo, o anjo passa.

No banco de jardim,
o cosmo se resume
em serena parábola,
impressentido lume.

(Carlos Drummond de Andrade)

As Estações - Olavo Bilac

As Estações
  • O Inverno
(Coro das quatro estações:)
Cantemos, irmãs, dancemos!
Espantemos a tristeza!
E dançando, celebremos
A glória da Natureza!

(O Inverno:)
Sou a estação do frio;
O céu está sombrio,
E o sol não tem calor.
Que vento nos caminhos!
Tragos a tristeza aos ninhos,
E trago a morte à flor.
Há nevoa no horizonte,
No campo e sobre o monte,
No vale e sobre o mar.
Os pássaros se encolhem,
Os velhos se recolhem
À casa a tiritar.
Porém fora a tristeza!
Em breve a Natureza
Dá Flores ao jardim:
Abramos a janela!
Outra estação mais bela
Já vem depois de mim.
Coro das quatro estações:
Cantemos, irmãs, dancemos!
Espantemos a tristeza!
E dançando, celebremos
A glória da Natureza!
  • A Primavera
(Coro das quatro estações:)
Cantemos! Fora a tristeza !
Saudemos a luz do dia:
Saudemos a Natureza !
Já nos voltou a alegria !

(A Primavera:)
Eu sou a Primavera !
Está limpa a atmosfera,
E o sol brilha sem véu !
Todos os passarinhos
Já saem dos seus ninhos,
Voando pelo céu.
Há risos na cascata,
Nos lagos e na mata,
Na serra e no vergel:
Andam os beija-flores
Pousando sobre as flores,
Sugando-lhes o mel.
Dou vida aos verdes ramos,
Dou voz aos gaturamos
E paz aos corações;
Cubro as paredes de hera;
Eu sou a Primavera,
A flor das estações !
Coro das quatro estações:
Cantemos! Fora a tristeza !
Saudemos a luz do dia:
Saudemos a Natureza !
Já nos voltou a alegria !
  • O Verão
(Coro das quatro estações:)
Que calor, irmãs ! Cantemos
Como ardem as ribanceiras
Cantemos, irmãs, dancemos,
À sombra d'estas mangueiras

(O Verão:)
Sou o Verão ardente,
Que, vivo e resplendente,
Acaba de nascer;
Nas matas abrasadas,
O fogo das queimadas
Começa a se acender.
Tudo de luz se cobre ...
Dou alegria ao pobre;
Na roça a plantação
Expande-se, viceja,
Com a vinda benfazeja
Do provido Verão.
Sou o Verão fecundo !
Nasce no céu profundo
Mais rútilo o arrebol ...
A vida se levanta ...
A Natureza canta ...
Sou a estação do Sol !
Coro das quatro estações:
Que calor, irmãs ! Cantemos
Como ardem as ribanceiras
Cantemos, irmãs, dancemos,
À sombra d'estas mangueiras
  • O Outono
(Coro das quatro estações:)
Há tantos frutos nos ramos,
De tantas formas e cores!
Irmãs ! enquanto dançamos,
Saíram frutos das flores!

(O Outono:)Sou a estação mais rica:A árvore frutifica
Durante esta estação;
No tempo da colheita,
A gente satisfeita
Saúda a Criação,
Concede a Natureza
O premio da riqueza
Ao bom trabalhador,
E enche, contente e ufana,
De júbilo a choupana
De cada lavrador.
Vede como o galho,
Molhado inda de orvalho,
Maduro o fruto cai ...
Interrompendo as danças,
Aproveitai, crianças!
Os frutos apanhai!
Coro das quatro estações:
Há tantos frutos nos ramos,
De tantas formas e cores!
Irmãs ! enquanto dançamos,
Saíram frutos das flores!

 -Olavo Bilac

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Tico-tico - Patativa do Assaré

Tico-tico

"Fico muito triste, muito triste fico
Quando triste penso no meu tico-tico
Porque de alimento eu não tinha um tico
E o pobre com fome, quando abria o bico
Eu tinha vontade de ser muito rico
Para não ver sofrendo o meu tico-tico.
Ate que uma noite ouvi um fuxico
Quando olhei pra perto do pilão de angico
Vi o gato preto do seu Manuel Chico
Rosnando e comendo o meu tico-tico."

Patativa do Assaré



Poesia infantil - Autor desconhecido

Parede riscada
Brinquedos no chão
Quarto bagunçado
Farelos de pão.

Tela na janela
Banquinho no banheiro
Brinquedo no chuveiro
Sofá com travesseiro

Roupa jogada
Desenhos pela casa
Mamãe descabelada
Por que não?

Tem criança nesta casa!
Tem risada, tem magia
Tem abraço e gritaria
Tem amor, tem alegria.


Autor desconhecido

Manuel Bandeira - A Onda (Poesia Infantil)

A Onda

A onda
a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda

(Manuel Bandeira)

Poema O Universo - Olavo Bilac

O Universo 

 A Lua:

Sou um pequeno mundo;
Movo-me, rolo e danço
Por este céu profundo;
Por sorte Deus me deu
Mover-me sem descanso,
Em torno de outro mundo,
Que inda é maior do que eu.

A Terra:

Eu sou esse outro mundo;
A lua me acompanha,
Por este céu profundo...
mas é destino meu Rolar, assim tamanha,
Em torno de outro mundo,
Que inda é maior do que eu.

O Sol:

Eu sou esse outro mundo,
Eu sou o sol ardente!
Dou luz ao céu profundo...
Porém sou um pigmeu,
Que rolo eternamente
Em torno de outro mundo,
Que inda é maior do que eu.

O Homem:

Porque, no céu profundo,
Não há-de parar mais
O vosso movimento?
Astros! qual é o mundo,
Em torno ao qual rodais
Por esse firmamento?

Todos os Astros:

Não chega o teu estudo
Ao centro d’isso tudo,
Que escapa aos olhos teus!
O centro d'isso tudo,
Homem vaidoso, é Deus!