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Soneto D'outono - Guerra Duval

Soneto D'outono
Grandes panos grisalhos... Folhas mortas
nos esqueletos d'árvores d'outono...
A Morte e o Frio andam batendo as portas,
e o Vento ulula como um cão sem dono.

(Pelos outonos, minha Primavera,
padeço as agonias ambientes,
e há no meu peito alguém que desespera...
— Por que há de haver outonos e poentes!)

Nesta paisagem lívida de spleen
a Alegria expirou dentro de mim;
e o Sol, o loiro Sol do meu país!

Morreu de tédio pelo outono gris...
— Como a nódoa d'azeite que s'espalma,
a Tristeza manchou toda a minh'almal

Adalberto Guerra Duval

Guerra Duval - Soneto do Olhar

Soneto do Olhar

(Para os teus olhos, para os teus olhares
o Soneto bordado de saudade
e a lisonja das silabas de seda.)

Pelo céu, pela noite, pelos mares,
Via-láctea de amor e claridade —
o teu olhar é plácida alameda,

onde a minh'alma, anêmica e doente,
anda bebendo o ar da vida nova,
nesse quebranto do convalescente
que fugiu ao mistério duma cova.

(Já estive à morte, sendo assim tão moço.,
— Tarde de calma e de melancolia
é o teu olhar; e, quando me olhas, ouço
tocar dentro de mim Ave-Maria.

Guerra Duval