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Chuva e Sol - Louis Ratisbonne

Junta ao pendor do abismo e suster-se sozinha;
quase a tombar no mal, lutar vencendo o mal,
é difícil, é belo! Eu vi exemplo igual
na ingênua candidez de linda criancinha.

Disse a mamãe, um dia, à loura Georgeana:
— Se até anoitecer, eu não te ouvir chorar,
nem dar gritos, prometo, amor, ir-te comprar
uma nenê gentil, d'olhos de porcelana.

Apenas isto ouviu, a bela pequenita
dança e salta a cantar, com tal sofreguidão,
que entontecendo, cai, ao comprido, no chão.
Esqueceu-lhe a promessa. Ei-la que chora e grita.

— Prantos? adeus boneca. Ouvindo esta ameaça,
ergue-se Georgeana e diz muito ligeira,
mudando o choro em riso, e com imensa graça.
— Chorei... por brincadeira...


Louis RatisbonneTradução de Adelina Lopes Vieira.

Não se perde nada à mesa - Louis Ratisbonne

Não se perde nada à mesa

— Mamãe, tu podes dar-me um bom bocado
de cozido, pois não?
— Meu filho, sabes bem
que quem pedir à mesa nada tem.
Oh! não peço mais nada, estou calado.
— Pois sim, mas tira a mão
do saleiro, não posso adivinhar
para que queres sal, Valentinzinho!
— Mamãe, é para a carne com toucinho,
que eu não pedi, mas sei que me vais dar.

(Louis Ratisbonne)
Traduzido por Adelina Lopes Vieira