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Felipe Marinheiro - Poema


Olho a linha
que espia a retina do mar
espero, espero, espero
e de tanto esperar em vão
um dia tarde demaisdescobri que nas escrituras
dos rebentos das ondas
estava escrito
que à nascença tinha sido
condenado pois
alma alguma me irá amar

Felipe Marinheiro

Filipe Marinheiro - Noutros Rostos - III

Noutros Rostos

III
abrigaram-me na palavra paciente e sincera
envolver-me nas lágrimas de girassóis a gemer é como prolongo
a vida
até à palavra se amar doce e inocente
como quando corro inesperado seduzindo as letras uma por uma
e sufoco a fecunda escrita na melancolia que é tão minha...