É preciso o céu
Essa imagem
É o retrato do mundo
Um rio sem fundo
Sem leito nem margem
Essa imagem
É um tanto de saudade
Uma nostalgia escondida
Uma vontade sentida
De versificar a vida
De poetizar a alma
Estrofes incansantes
Desafiam meu destino
Seguem em desatino
Já não leem o sentido de agora
Tampouco definem o antes
Agarram-se à superfície da água
Imersos num tempo incomum
Não há medo ou mágoa
E o que resta
São quereres...
Que pra querer não é preciso ter chão
É preciso ter força
É preciso o céu.
Bruna Longobucco
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Juízo - Francisco Joaquim Bingre
Juízo
Quando, nos quatro ângulos da Terra,
Troarem as trombetas ressurgentes,
Despertadoras dos mortais dormentes,
Por onde um Deus irado aos homens berra:
Prontos, num campo, em apinhada serra,
Todos nus assistir devem viventes
Ao Juízo Final e ver, patentes,
Seus delitos, que um livro eterno encerra.
Então, aberto o Céu, e o Inferno aberto,
Todos ali verão: e a sorte imensa
Duma mágoa sem fim, dum gozo certo.
Verão recto juiz pesar a ofensa
Na balança integral, e o justo acerto,
Dando da vida e morte igual sentença.
Francisco Joaquim Bingre
Troarem as trombetas ressurgentes,
Despertadoras dos mortais dormentes,
Por onde um Deus irado aos homens berra:
Prontos, num campo, em apinhada serra,
Todos nus assistir devem viventes
Ao Juízo Final e ver, patentes,
Seus delitos, que um livro eterno encerra.
Então, aberto o Céu, e o Inferno aberto,
Todos ali verão: e a sorte imensa
Duma mágoa sem fim, dum gozo certo.
Verão recto juiz pesar a ofensa
Na balança integral, e o justo acerto,
Dando da vida e morte igual sentença.
Francisco Joaquim Bingre
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