Mocidade - João da Cruz e Sousa


MOCIDADE 

Ah! esta mocidade! — Quem é moço 
Sente vibrar a febre enlouquecida 
Das ilusões, da crença mais florida 
Na muscular artéria de Colosso...

Das incertezas nunca mede o poço... 
Asas abertas — na amplidão da vida, 
Páramo a dentro — de cabeça erguida, 
Vê do futuro o mais alegre esboço... 

Chega a velhice, a neve das idades 
E quem foi moço, volve, com saudades, 
Do azul passado, o fúlgido compêndio... 

Ai! esta mocidade palpitante, 
Lembra um inseto de ouro, rutilante, 
Em derredor das chamas de um incêndio! 

Nenhum comentário:

Postar um comentário