Água-forte - João da Cruz e Sousa


ÁGUA-FORTE 

Do firmamento azul e curvilíneo 
Cai, fecundando as trêmulas raízes 
Dos laranjais, dos pâmpanos, das lises, 
A luz do sol procriador, sanguíneo. 

Pelo caminho agreste e retilíneo, 
Da tarde aos brandos, triunfais matizes, 
A criançada, a chusma dos felizes, 
Esse de auroras perfumado escrínio, 

Volta da escola, rindo muito, aos saltos, 
Trepando, em bulha, aos árvoredos altos 
Enquanto o sol desce os outeiros longos... 

Vai dentre alados madrigais risonhos, 
Do abecedário juvenil dos sonhos, 
A soletrar os principais ditongos. 

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