MUSA DECADENTE
Eis morto o redolente e constelado outono,
Que conservava ainda a glória do teu seio.
Triste, desolador, implacável e feio,
O inverno, ei-lo aí está, núncio do eterno sono.
Não mais no corpo ideal o majestoso entono.
Sem fulgores, o olhar, que do Olimpo te veio,
Não será, como outrora, indiferente e alheio
A quem contigo sofre o horror desse abandono.
Há de seguir-te sempre um sol de primavera.
Celebrarei no verso amoroso e vibrante
O baquear dos torreões do encantado castelo.
Teu inverno há de ter, como o outono tivera,
Ó helianto que murcha, ó astro agonizante,
O tumultuoso amor dramático do Otelo!
(Mors-Amor, 1905.)
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