Olegário Mariano - A cigarra que ficou

A cigarra que ficou

Depois de ouvir por tanto tempo, a fio,
As cigarras, bem perto ou nas distâncias,
Só me ficou no coração vazio
A saudade de antigas ressonâncias...

Todas se foram... bando fugidio
Em busca do calor de outras estâncias,
Carregando nas asas como um rio
Leva nas águas - seus desejos e ânsias...

E ainda cantaram na hora da partida:
Era um clamor dentro da madrugada...
Essa, entretanto, desgarrou daquelas,

E entrou, tonta de luz, na minha vida,
Porque sabia que era a mais amada,
E cantava melhor que todas elas...

Olegário Mariano


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