Caras Sujas
Ao longo destas avenidas,
Recordação de velhas lendas,
Cantam as chácaras floridas
Com suas líricas vivendas.
Lá dentro, há risos, jogos, danças,
Crastinas, módulas fanfarras,
Um pandemônio de crianças,
Um zagarreio de cigarras.
Fora, penduram-se na grade
Os pobre, como gafanhotos;
Têm dos outros a mesma idade,
Mas estão pálidos e rotos.
Chora a injustiça da cidade
Na cara suja dos garotos.
Affonso Schmidt
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