MORS-AMOR
Veste a clâmide austera e grave do soneto
E vem cantar comigo, ó musa, o horror da morte.
Deixa que em cada poema a idéia vibra forte,
Mas como um luar de amor sob um velarium preto.
Deu-me Satã jovial um mágico amuleto.
Asrael marcará de hoje em diante o meu norte.
Hei de mudar em ti, num mal que me conforte,
O perfume de carne em riso de esqueleto
Tudo, tudo, por fim, mergulharei no abismo,
Todas as tentações funestas de tua alma
E a beleza fatal de teu corpo maldito.
De heptacórdio na mão, rindo do cataclismo,
Novo arcanjo revela, descreverei com calma
A Morte vitoriosa estrangulando o Mito.
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