A uma mulher
Da minha flauta d'ébano;
Nelas minh'alma segredava à tua
Fundas, sentidas mágoas.
Cerraste-me os ouvidos. Namorados
Versos compus de júbilo,
Por celebrar teu nome, as graças tuas,
Levar teu nome aos séculos.
Olhaste, e, meneando a airosa frente,
Com tuas mãos puríssimas,
Folhas em que escrevi meus pobres versos
Lançaste às ondas trêmulas.
Busquei então por encantar tu'alma
Uma safira esplêndida,
Fui depô-la a teus pés... tu descerraste
Da tua boca as pérolas.
Machado de Assis
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