Esperança - Emiliano Perneta


Esperança 

Entre o Odio e o Amôr, eu vivo a debater-me. 
Quando não sangra o Amôr, não ruge o Amôr, porém, 
Quando aos pés me não calca o Odio, como um verme, 
É o Tedio quem me vê com os olhos do desdém. 

E oh ! das mãos desse fauno cupido, eu inerme, 
Tal que si fosse uma donzella, uma cecém, 
Sentindo que me vão ferir, que vão perder-me, 
Tento escapar... Em vão ! O monstro me detém... 

Tudo, tudo me causa horror. A vida, emfim, 
Como um castello desabou neste momento... 
Mas, ah ! que uma mulher passa a roçar por mim... 

E eu esquecido já do mal que ella me fez, 
Vendo-a sorrir, assim, mais leve do que o vento 
Atraz della saí correndo, inda uma vez ! 

Emiliano Perneta

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