Espectro - Emiliano Perneta
Espectro
Chego, fecho-me aqui no quarto. Lá por fóra
Ruge o vento de dôr. Bate desesperada
A chuva nos vitraes. Eu estou só. Agora
Completamente só. E a noite é gelada.
Soffro. Quero illudir a minha dôr que chora.
Folheio este volume e não comprehendo nada.
Tento escrever, em vão. Mais, eis que sem demora,
Noto que a porta foi como que descerrada...
É alguem, alguem talvez... Meu coração se pasma,
Todo o meu ser emfim tremulo se retráe :
Vejo pé ante pé chegar esse fantasma...
Entra. Senta-se aqui. Olha-me bem de frente,
Melancolicamente e dolorosamente,
E sem dizer palavra, em seguida, elle sae !
Emiliano Perneta
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